segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ainda

Não te ouvi sair e pergunto-me como é que ainda estou aqui. Permaneço deitada fingindo sentir os teus braços e tento não mover nada porque correrá o risco de danificar a minha memória.
A manhã quer prender-me segura aqui até que desapareçam as pessoas lá fora. Num sonho louco ninguém se faz sentir, e nada mais se aproxima ... apenas tu te apresentas. Vens a passos lentos roubando-me o fôlego até que começo a sentir o ar que expiras. Declaras palavras que ficam em mim sempre, sem estratégias decorativas, gravadas onde tudo dói. Podes mentir-me para que isso construa em mim uma corrupta inocência que me afoga mas completa.
Sobressalto-me com ruídos confusos que me devolvem à realidade e aí percebo que nunca foste muito longe. O que gostava que fosses, isso vivo-o em sonhos.
Podes chamar-me de “fraca” e achar-me incapaz de lutar. Mas enganas-te. Eu luto. Lutei muito tempo contra a real natureza, mas agora luto por recuperar o que fui dissipando.