As coisas fogem, mas não voltam na mesma velocidade.
Quando, com a fuga, tudo se destrói, já nada cresce sozinho. As memórias espalhadas que pesam em cada tentativa de sobrevivência impedem um recomeço, de tal forma que promovem a abundância do orgulho e do egoísmo. Já nada é seguro nem estável, e cada esguio passo em frente é tempo perdido, porque de seguida já tudo se desfez.
Mas tudo volta, e até o mais impossível e desequilibrado sentimento é capaz de se refazer, se é que alguma vez se desfez. Suponho que, por vezes, apenas se disfarce e talvez venha a adormecer por breves instantes.
Para tudo voltar é necessário tempo, coisa que aos olhos ofegantes de muitos é impossível. Eu própria também o achava e, em muitos casos, essa ideia não é descartada, porque sei que tempo, aí, seria o fim. Serviria para esquecer de vez tudo no que nos tornámos.