domingo, 25 de abril de 2010

Expresso-me


Há folhas que acabo por rasgar, molhadas por lágrimas que me fogem do rosto ou até acabadas com furiosos cortes da caneta com que despejo toda a fúria, mas não desisto...
Todas as palavras que tenho por esclarecer e que procuro expressar não me saem apenas pelos movimentos do meu corpo que insistem em manifestar-se ao som de melodias que surgem, mas também se escapam pelas tintas de diversas canetas que apanho. Há momentos em que seguir a dinâmica de certas linhas mostrando tudo o que sinto da minha própria maneira me reconforta e acaba por me ajudar a escolher o rumo através do papel que vai ficando gradualmente preenchido mas há, também, momentos que tudo me surge mas nada se liberta e a página em branco continua branca como um palco barrido. Aí, fogem infinitos conjuntos de pontos que resultam em rasgos desarrumados e confusos, e os estímulos do meu corpo e da minha alma gritam no avesso da minha pele e tudo explode numa agitação única que não se repete nunca. A cada segundo surgem novos movimentos que me abraçam e sustentam. Por isso, de uma forma ou de outra, eu tenho sempre comigo os meus melhores amigos... o tempo e o corpo unidos a um papel e uma caneta com um enorme sorriso.